Quando comecei a ver futebol, as vitórias eram pintadas de azul e branco semana sim, semana sim. O Porto ganhava, ganhava, ganhava e eu lá festejava. Foi assim durante muitos e largos anos, o que me levou a conhecer o sabor da vitória no Campeonato, na Taça, naquelas Supertaças a que assistia com os meus pais num dos vários cafés espalhados pela costa algarvia e até (que luxo!) na Liga dos Campeões, Liga Europa e Campeonato do Mundo de Clubes. É com muita satisfação que digo que a única coisa que não sei festejar é a Taça da Liga.
O Porto ganhou muito, eu festejei muito e, ao mesmo tempo, sempre pensei que haveria um dia em que os festejos se distribuiriam um pouco mais. Não ser hipócrita é o mais importante no desporto: umas vezes ganham uns, outras ganham, bem, outros. Sempre assim foi, sempre será e ainda bem. Porque a imprevisibilidade no início de cada época é o que a torna fascinante e sem rivais nenhuma equipa seria equipa. Agora que tenho este ponto esclarecido, vou ao que verdadeiramente interessa: dentro do não ganhar, há vários níveis.
Até agora, o Porto que tantas alegrias me deu passava por curtas fases em que não ganhava porque tinha adversários que simplesmente conseguiam ser melhores em determinados fins de semana, eliminatórias ou finais. Mas o Porto dos dias de hoje é outro. É um Porto sem identidade, sem mística, diferente de si próprio. É isso que me aborrece. Não a falta de títulos -- acreditem quando vos digo isto, ou não fosse eu um seguidor apaixonado do Liverpool (e penso que isto basta para vos fazer ver que as minhas palavras são sinceras) -- mas sim a falta da identidade que tão bem nos definiu nos últimos anos.
Gritar "Somos Porto" não basta. E dizê-lo num balneário não é suficiente para ser o escolhido para liderar a equipa depois de três anos menos felizes. A estupidez numero 1? Toda a confiança depositada em Lopetegui, claro. A segunda? Retirá-lo numa fase em que ainda estava na calha de conseguir, à segunda época, o objetivo que na anterior tinha estado tão perto de concretizar. O terceiro? Colocar José Peseiro no seu lugar. Se era para causar um abanão na equipa, que fosse um abanão a sério, e não um pseudo-choque psicológico. O quarto e pior de todos? Escolher Nuno Espírito Santo para liderar a equipa principal (e ainda me dói cada vez que escrevo estas palavras).
Agora que já passaram vários meses continuo sem encontrar palavras que seja de que forma for façam esta decisão parecer minimamente acertada. Não é só culpa tua, Nuno. A verdade é que nem nos teus tempos de guarda-redes gostei de ti e isto não é culpa tua. Deves saber do que falo: às vezes, de forma inconsciente, não gostamos de uma pessoa. Não há razão aparente que o justifique, simplesmente não gostamos. E isto, claro, não ajudou em nada quando foste escolhido para treinador da equipa principal. Mas aquilo de que escrevo hoje já vai muito para lá da opinião irracional que tinha.
Vejo um Porto a desperdiçar-se. Um Porto a poder brilhar e não o fazer. Vejo, lá está, um Porto a fugir à sua identidade. A reinventar-se jogo após jogo, a deixar de fora aqueles que mais poderiam ajudar em noites difíceis (três empates numa semana, que significam o adeus à Taça, o complicar e muito da situação na Liga dos Campeões e uma desvantagem de sete pontos no campeonato e Brahimi nem ao banco é chamado?! E o João Carlos Teixeira, que saiu de um histórico europeu para vir brilhar no Dragão e nem para a Taça foi chamado?) e a ficar cada vez mais desnorteado.
Vejo, acima de tudo, um Porto perdido. Perdido em discursos, em promessas de vitórias que não se cumprem, em falhanços embaraçosos atrás de falhanços. Não estou a pedir títulos, caramba. Estou a pedir exibições à Porto, que nos façam sorrir acabem bem ou mal e que nos deixem cada vez com mais vontade de ligar a TV ou ir ao estádio no fim de semana seguinte. Essa foi a minha mística durante mais de uma década, quando ganhávamos e quando perdíamos. Porque era bonito ver o Porto jogar e só isso me interessava. Agora? Agora é um Porto confuso que precisava de voltar a ser Porto. Que precisa de (re)agir. Gritar "Somos Porto" não basta.
Nunca o Futebol Clube do Porto vendeu tanto numa época. Nem nos tempos de domínio de Jorge Mendes nem com ocdesaparecimento súbito do super heroí. Estará tudo perdido? Longe disso...
Que o Futebol Clube do Porto vende como ninguém, já era certo. Agora que vende 'às centenas'... Isso, é novidade. E ainda assim afirmo confiante termos condições para vencer o que queremos (e aquilo que, na verdade, temos de vencer).
A saída de Alex Sandro para a Vecchia Signora segue-se às vendas de Danilo, Casemiro e Jackson -- por pouco não era um 'poker' de exportações para Espanha... -- e faz assim com que os cofres azuis e brancos cheguem aos 103 milhões de euros. Cento e três milhões de euros ganhos só este verão, mais do que na Silly Season pós-vitória na Champions (98,7) ou do que nos anos de ouro de Jorge Mendes ainda em Portugal (ontem, quando o negócio de Alex Sandro avançava, Mendes assistia ao duelo de campeões entre duas das 'suas' equipas, o Valência e o Mónaco), sem esquecer o ano em que, sorrateiramente, perdemos um super herói para as terras do gás.
Se me preocupa? Não. Deixa-me, única e exclusivamente, triste. Triste de igual forma ao dia em que vi ser anunciada a saída de Danilo -- e assim perdemos os dois laterais titulares -- ou àquele em que nos foi dada a certeza de que não tornaríamos a ver Oliver (onde andas, pequeno herói...) de Dragão ao peito, mas não necessariamente preocupado. Porque, apesar de vendas e mais vendas, de trocas de talões e sacos de compras mais cheios (e pesados) do que nunca a sair (e entrar) do Dragão, temos equipa para cumprir os objetivos.
Mais do que isso, temos um treinador já habituado à realidade e ao próprio futebol português e, agora sim e como sempre disse desde que foi apontado, em condição de poder lutar pelo título. Porque no ano anterior seria um extra feliz e não uma obrigação, Lopetegui tem, agora, de conquistar o título de campeão nacional. E sabe-o. E está em perfeitas condições.
O plantel é coeso, encaixa do princípio ao fim e não tem lacunas de maior. Claro, Alex Sandro sai já depois de ter sido titular na primeira jornada, mas regressou Cissokho. Na baliza há Casillas, para segurar as redes com Helton e aumentar como nunca o potencial de marketing (já está a acontecer -- a beIN Sports comprou os direitos de transmissão da liga para Espanha) do clube. Lá à frente, Aboubakar prova valor e começa finalmente a escrever a sua tão desejosa história de amor (recíproca) com um clube de que tanto gosta e que a tanto quer. Tem ainda Osvaldo e Bueno prontos a apoiá-lo, não esquecendo que com Tello e Varela nos podemos dar ao luxo de começar com Brahimi fora do onze inicial.
Como digo, o plantel perdeu (e ganhou) muito, sim, mas recuperou -- como aliás o faz sempre, demore um ou, no máximo, dez meses -- e está pronto para o que aí vem. Primeiro o título, aquele que nas últimas décadas é maioritariamente nosso, e depois os ditos bónus, que colocam sorrisos em todos. Quanto a nós, deste lado... Seria bom pintarmos por completo todos os estádios por onde a nossa equipa passe ao longo desta nova época.
Vergonhoso. E, primeiro -- não em nota de rodapé mas como nota inaugural, para que não fiquem por dar esclarecimentos antecipados -- sempre utilizei este espaço para comentar, criticar e elogiar o meu Futebol Clube do Porto. Não outros, mas o meu clube. E por esses mesmos motivos este post será, à semelhança de todos os anteriores, sobre dragões.
Que fique claro: hoje, o Futebol Clube do Porto não perdeu o título. Não. Perdeu-o ao longo do campeonato, com empates desnecessários frente aos mais pequenos (aqueles que, segundo um Special One que por cá passou, decidem as provas). Hoje, entregou-o. Ofereceu-o. Com tudo o que não tinha.
E eu sou sincero. Na antevisão ao jogo frente ao Belenenses tinha muitos cenários em mente, muitos! Desde estarmos perto de 'encurtar' terreno e no cair do pano surgir uma vitória mais a norte até, simplesmente, esses três pontos estarem garantidos logo desde os primeiros muitos. Tinha muitos, muitos! Menos... Tamanha desgraça. Nunca pelos meus pensamentos passou a ideia de perdermos a luta pelo título não devido a um triunfo do adversário mas -- imagine-se! -- porque enquanto o rival direto escorrega nós fazíamos pior.
Eis que o conseguimos. No final de um jogo mau, péssimo, de como não há memória nos últimos tempos (não desfraudando as últimas e más exibições) conseguimos oferecer, com todo o valor da expressão, o título. E quem o faz não merece ser perdoado.
Reflexões individuais virão num futuro não longínquo. Hoje, é tempo de esquecer o maior erro do Futebol Clube do Porto de que tenho memória.
Carago, que tive de voltar a este espaço! Priceless!
Ainda hoje não acredito. Ou melhor, acredito, da mesma forma que fui acreditando com o decorrer do relógio, com precaução, muita precaução. Que show de bola. Ao longo desta época silenciosa da minha parte já muito sofri mas, acima de tudo, já muito elogiei. Julen Lopetegui tem perfil à Porto, discurso à Porto e imagem à Porto. Sabe o que faz e o que está planeado para o seu contrato de três anos.
Mas há limites e ontem cruzámos um. Ganhar ao Bayern de Munique -- o poderosíssimo -- em casa, com um Dragão cheio e mais fantástico do que nunca, não é para todos. São arrogantes? São... Consideram-se os melhores do mundo e vinham a Portugal para aproveitar o sol? Não me surpreenderia... Mas jogam futebol, têm uma dezena de campeões do mundo(!) no plantel e Pep Guardiola no comando.
Gosto de pensar na noite de ontem, o dito show de bola no Dragão, de uma outra forma que passo a explicar. Admiro Xabi Alonso como admiro poucos. Faço-o hoje, fi-lo ontem e desde os tempos em que jogava no também meu Liverpool. Sempre me encantou com a bola, com a sua atitude, com a sua classe. Ontem, esteve em baixo. Foi deitado abaixo. Penso na noite de ontem por parte do Futebol Clube do Porto como a causadora de tudo isto e isso enche-me de orgulho.
Ainda hoje não acredito. Ou melhor, acredito, da mesma forma que fui acreditando com o decorrer do relógio, com precaução, muita precaução. Que show de bola. Ao longo desta época silenciosa da minha parte já muito sofri mas, acima de tudo, já muito elogiei. Julen Lopetegui tem perfil à Porto, discurso à Porto e imagem à Porto. Sabe o que faz e o que está planeado para o seu contrato de três anos.
Mas há limites e ontem cruzámos um. Ganhar ao Bayern de Munique -- o poderosíssimo -- em casa, com um Dragão cheio e mais fantástico do que nunca, não é para todos. São arrogantes? São... Consideram-se os melhores do mundo e vinham a Portugal para aproveitar o sol? Não me surpreenderia... Mas jogam futebol, têm uma dezena de campeões do mundo(!) no plantel e Pep Guardiola no comando.
Gosto de pensar na noite de ontem, o dito show de bola no Dragão, de uma outra forma que passo a explicar. Admiro Xabi Alonso como admiro poucos. Faço-o hoje, fi-lo ontem e desde os tempos em que jogava no também meu Liverpool. Sempre me encantou com a bola, com a sua atitude, com a sua classe. Ontem, esteve em baixo. Foi deitado abaixo. Penso na noite de ontem por parte do Futebol Clube do Porto como a causadora de tudo isto e isso enche-me de orgulho.
Caramba, o que foi aquilo?! Ricardo Quaresma, já se sabe, nasceu para estes jogos. Nasceu para jogar de Dragão ao peito, para sentir a pressão e ouvir o hino da Champions perante 50.000 adeptos. Nasceu para ser o underdog e atravessar um estádio de braços abertos e lábios no emblema enquanto vibra contra a maré. Nasceu portista e joga como portista -- e hoje em dia, imagine-se, como portista que se sabe adaptar para jogar mais, como o próprio reconhece. Não foi o único. Não. Mas passar a enumerar os heróis da primeira mão não me faz qualquer sentido. Ontem, fomos Porto. Juntos, não onze nem cinquenta mil mas centenas de milhares. Todos juntos, na bancada, no relvado, no sofá ou no carro, no meio de um trânsito infernal. Fomos Porto e acreditámos como acreditamos sempre. Como na final de 87 (aquela que os germânicos nem recordam).
Priceless. Porque há imagens que falam por si.
Priceless. Porque há imagens que falam por si.
Hoje escrevo de um ponto de vista diferente. Totalmente inédito.
Aproprio-me de todas as características de uma criança que vive o seu
sonho. Hoje, escrevo regressado do Estádio do Dragão pela primeira vez
na minha vida e com um sonho realizado. Finalmente em casa!
Viajar para o Porto era uma aventura e entrar no Dragão nada mais
seria do que ouro sobre azul. Ao fundo da imensa escadaria, o mais belo
estádio do país, lá estava, à minha espera. Era a minha primeira vez na
minha ‘casa’. Nervoso, inspirei fundo, controlei toda a ansiedade e dei o
primeiro passo. Não queria voltar atrás. Subi cada degrau com tanta
vontade quanto possível para me sentar naquela cadeira azul e ver o meu
Porto jogar. Para ver o meu Futebol Clube do Porto apresentar-se aos
adeptos com o Saint Etienne. O resultado, 0-0, deixa a desejar – mas foi
o que menos interessou.
Afirmo, com toda a razão que me compete e possa ou não ser dada, que
não há melhor palco do que este para se gritar Porto, respirar Porto,
viver Porto. Durante cerca de três horas, o relvado encheu-se de
estrelas para deliciar os quase 50.000 espectadores presentes.
Dragão. Seguindo a tradição, foi ele, fiel ícone chinês, o primeiro
protagonista do dia, com Julen Lopetegui a fazer as honras de espada na
mão e a compor um dueto praticamente perfeito. Seguiu-se um hastear de
bandeiras de proporções épicas e os primeiros grandes aplausos, com a
equipa a chegar literalmente a reboque num veículo potente, fazendo jus
ao espírito de guerreiros sempre preparados (o tal epíteto que a nova
marca de equipamentos, Warrior, associou a esta equipa).
Num jogo de apresentação, já se sabe, a equipa roda entre si até
todos (ou quase) os elementos pisarem o relvado. Na primeira parte, um
equipamento; na segunda, o alternativo. Mas não foi apenas a isto que se
resumiu o encontro: o Futebol Clube do Porto deu indícios de magia e
deixou promessas de uma boa época. Não, não foi o jogo com mais
oportunidades de golo; assim como não foi o mais dominado – até porque
Fabiano foi o guarda-redes que mais esteve em ação. Mas foi um encontro
perante cinquenta milhares de adeptos com fome de golo, protagonizado
por uma equipa nova, jovem e em evolução. Foi, em suma, a festa azul e
branca.
Pecou apenas pela falta de golos, mas, no final, o recinto fez
esquecer o resultado e põe água na boca daqueles que por ali passarão ao
longo das próximas semanas. Despeço-me feliz como não havia imaginado.
Não quero largar a cadeira azul. Não lhe quero virar as costas. Quero
ficar sentado a contemplar o relvado que agora cheira novamente à água
que o trata. Quero ficar.
É um até já, Dragão. Um até já emocionante. Que comece a época!
A Figura
O Dragão. O estádio, as cores, a organização, os
participantes, os futebolistas, os adeptos. Num jogo de apresentação, o
tempo ê distribuído por todos aqueles cuja candidatura a interveniente
foi aceite e tudo o resto ganha uma outra força. Os 47.000 espectadores
presentes e a enorme festa proporcionada pelo Futebol Clube do Porto.
No relvado propriamente, Oliver Torres. Como dizem, “chegou,
adaptou e encaixou”. O jovem reforço está no Porto para brilhar e se
dúvidas houvessem ficaram esclarecidas no seu primeiro jogo perante os
agora seus adeptos, onde se assumiu como a principal figura ao
acrescentar dinâmica a todo o meio campo ofensivo com passes rasgados de
uma lateral à outra e da parte recuada do terreno ao último terço, onde
mostra grande à-vontade.
O Fora-de-jogo
Insatisfação. Tomamos consciência da dimensão e das
exigências de um clube quando, num jogo (amigável, claro) de
apresentação aos adeptos, se ouvem assobios – que servem ainda para nós
nos apercebermos de quão a leste estão muitos dos adeptos. Ser exigente é
bom, sim. Querer ganhar também. Mas no devido espaço e lugar. O Futebol
Clube do Porto está em reconstrução, mostra sinais disso e promete
melhorar. Hoje era dia de celebrar a festa que é o futebol.
Nota: este texto foi publicado n'O Dragãozinho a 17 de abril de 2015, tendo a sua data sido alterada para a da original publicação em Bola na Rede (onde durante meses partilhei os meus pensamentos azuis e brancos) para que melhor se encaixe no contexto temporal.
"O fim de uma era", escreve-se. Novamente. E uma vez mais de forma precipitada. No entanto, estou farto das típicas conversas da gíria futebolística baseadas em 'o meu clube é melhor que o teu porque eu digo que sim' ou 'só perdemos por causa de x', razão que me leva a procurar abordar o tema de uma outra forma - pouco ortodoxa?
Adoro ténis. Sigo ténis todos os dias, vejo ténis todos os dias, escrevo sobre ténis todos os dias. A moral e a ética dizem que quem o faz deve colocar de parte qualquer favoritismo nessa altura e eu assim o faço. Mas quando sou apenas um ser humano em frente a uma televisão a perseguir uma pequena bola amarela com os olhos estou no meu direito de tomar o lado que quiser. Como tal, não consigo ser indiferente à garra de Rafael Nadal, à resistência de Andy Murray, à elasticidade de Novak Djokovic e à classe de Roger Federer, entre outros.
E é precisamente de Roger Federer que venho falar. Esse mesmo. Um suíço que após vencer o Australian Open de 2010 começou a ser largamente criticado pelos resultados menos positivos e grande jejum em torneios major. Esse mesmo, que dia após dia era rebaixado e dado como terminado. Até ao dia em que regressou a Wimbledon e, perdoem-me a expressão, calou tudo e todos. Levou o troféu para casa e com ele regressou ao primeiro lugar do ranking, batendo o record de semanas lá passadas. Mas a memória é curta e rapidamente voltou a ser colocado num patamar inferior. "Está velho!"; "Já não tem resistência!"; "Os adversários são demasiado bons!". Não me interpretem mal, as críticas não eram totalmente despropositadas - 2013 foi mesmo uma época má, a sua pior -, mas uma vez mais a sentença foi-lhe lida demasiado cedo e meses depois está de novo a praticar algum do seu melhor ténis.
O Futebol Clube do Porto também estava morto quando Jorge Jesus chegou a Lisboa e venceu o campeonato. Mas a morte foi curta e na época seguinte a glória estendeu-se a todas as provas de renome. 2013/2014 foi mau, sim (já viram? Na nossa pior época, aquela que tanto espanto causa, conquistamos pelo menos um troféu, chegamos a uns QFs europeus e terminamos numa posição que nos permite jogar na Champions), mas o Futebol Clube do Porto está longe de estar terminado. E o mesmo se aplica a esta 'era'.
Humildade, concentração, garra. Era tudo o que se pedia e foi tudo o que faltou. Os primeiros trinta minutos de jogo no Ramón Sánchez Pizjuán foram simplesmente vergonhosos, dos piores do Futebol Clube do Porto esta época e sem dúvida alguma dois piores a que já assisti em jogos europeus.
Se ao Dragão o Sevilha foi ver jogar e de lá saiu com um resultado muito favorável dado o que se passou dentro do campo, em território espanhol tudo o Sevilha levou. Sem hesitações, sem escrúpulos. Com a garra com que se deve abordar um jogo europeu - a mesma de que o Valência usufruiu para dar a volta a uma derrota por 0-3 em Basileia e vencer em Espanha por 5-0.
Onde ia eu? Ah, sim, vergonhoso. É vergonhoso, meus caros, que o Futebol Clube do Porto entre assim numa segunda mão dos quartos-de-final de uma prova europeia. E não culpo Luís Castro. Não o culpo pela expulsão (afinal, o que se passou?), não o culpo pelo resultado. A equipa era aquela, as substituições eram aquelas. Poderiam ser diferentes? Talvez, mas o que foi feito no papel foi bem feito.
O problema esteve dentro das quatro linhas e, essencialmente, nos primeiros trinta minutos de jogo. O resto foi história; o golo do Sevilha já com menos uma unidade não foi inédito em encontros de futebol e a ineficácia azul e branca típica da presente temporada.
Que categoria!
Uma vez mais, Luís Castro comandou a equipa a uma excelente exibição e, à semelhança do encontro com o rival de Lisboa para a Taça de Portugal, só não entraram mais porque a sorte não esteve propriamente do nosso lado.
"Que exagero", poderiam eventualmente dizer uns, mas não. Para meu espanto, até a Entourage da SIC teceu largos elogios ao Futebol Clube do Porto durante todos os (incompreensíveis) 94' minutos de jogo. Não falo apenas dos excelentes remates de Defour e Quaresma ao poste ao do bonito cabeceamento de Mangala. Não. Falo de todo o encontro, de todo o domínio com que percorremos o campo de uma ponta à outra sem grandes pausas.
A verdade é que o Sevilha veio ao Dragão para ver jogar e no final acabou por sair com um resultado bastante simpático dadas as circunstâncias. Engane-se no entanto quem pense que tudo está resolvido e que temos os dois pés nas tão aguardadas meias-finais pois, para nosso azar, Jackson e Fernando falham o jogo da segunda mão. Se é correcto afirmar que a expulsão de Fernando foi bem ajuizada, sendo igualmente correcto reconhecer a sua atitude lastimável num jogo europeu de tamanha importância quanto este (mas enfim, erros até os melhores os cometem), ainda hoje estou para perceber o amarelo dado ao avançado colombiano.
E aqui chegamos a um ponto muito importante nesta fase FC Porto versão Luís Castro: não há Jackson, há Ghilas, grande responsável pela permanência da equipa na Europa ao marcar golos decisivos nas duas últimas eliminatórias. Posto isto, o problema será 'apenas' resolver da melhor forma a lacuna deixada no meio-campo, sendo importante relembrar que mais uma vez partimos para o estrangeiro com uma vantagem muito, muito importante.
Eu também acho. Basta.
Basta de sermos colocados onde não merecermos, basta de sermos rebaixados e publicamente tratados como outros em nenhuma circunstância poderiam ser. Basta.
Quem me conhece sabe que por hábito não gosto de falar sobre arbitragens, não gosto. Não costumo fazê-lo publicamente é muito menos dedicar um artigo inteiro a tal assunto, ainda para mais quando o meu clube se encontra a quinze pontos do tolo da tabela classificativa, mas chegámos a uma situação inaceitável. São golos atrás de golos sofridos em fora de jogo, golos legais apontados que rapidamente são invalidados, vermelhos mostrados que sequer de amarelo algo tinham. Basta.
E por aqui me fico pois a visualização das imagens é suficientemente elucidativa.
E por aqui me fico pois a visualização das imagens é suficientemente elucidativa.
Já tenho muitos anos de futebol. Como tal, sei perceber quando um treinador é bom, mau, ou quando uma equipa é ou não mental, física e tecnicamente capaz de lutar pelos seus objectivos. Sei também escrever minimamente sobre futebol, o que me força a começar este texto com um conhecido mas sempre indispensável e importante de manter presente na memória "ainda não está ganho".
No entanto, e porque ainda muito jogo se jogará antes de pensar nas meias-finais, é altura de celebrarmos a vitória de ontem. Que exibição! Do primeiro ao último minuto fomos a melhor equipa em campo e não houve quaisquer espaços para dúvidas: a águia foi dominada pelo Dragão sem oferecer perigo a um sector defensivo que, uma vez mais, se mostrou mais sólido do que sob o comando de Fonseca.
E se pela defesa pouco ou nada passou, do meio campo para a frente voltou a assistir-se a um festival de confiança. No primeiro minuto, uma primeira das muitas jogadas de qualidade. No último, mais uma. E durante esses mesmos noventa minutos o Futebol Clube do Porto não só se exibiu a um dos seus melhores níveis da época de 2013/2014 como dominou a equipa que não perdia há vinte e sete jogos, a equipa que no dia de jogo era claramente dada como favorita e que hoje, após uma vitória num jogo em que nunca esteve perto de alterar o resultado, é ainda assim apoiada da forma que é por um dos mais conceituados desportivos diários do nosso país.
Ainda assim, há muito a melhorar. Jackson rematou ao poste e Carlos Eduardo não aproveitou a possibilidade de recarga equivalente a golo certo; Quintero falhou um passe muito abaixo do nível de dificuldade de muitos que executa e que daria a Quaresma o golo certo num dos últimos minutos do encontro; e tudo isto tem de ser melhorado. Há nove finais para disputar até ao final da temporada - correspondentes aos títulos na Taça de Portugal, Taça da Liga e Liga Europa - e, portanto, nove jogos para vencer.
Sabe no entanto a pouco, pois como afirma Luís Castro o resultado poderia e deveria ter sido bem mais recheado.
Tanto bate até que fura. E assim funciona a equipa de Luis Castro, que cada vez mais recuperada a níveis de confiança, não obstante o compreensível desgaste psicológico, continua a regressar aos seus níveis exibicionais de épocas anteriores para deixar pelo caminho todo o tipo de adversários que tenha pela frente.
Não foi fácil, não, chegar ao primeiro golo, mas uma vez mais não dependeu apenas de nós. Se é verdade que Jackson Martinez se continua a apresentar pouco concretizador, um dos tentos chegou mesmo ao fundo das redes e... De forma legal. Não para um dos elementos presentes em campo, mas visível a qualquer outro que perto ou longe se encontrasse.
Não obstante, a equipa continuou a trabalhar para se colocar em vantagem e foram várias a boas hipóteses de o concretizar, mas foi apenas com a entrada do jovem e talentoso, muito talentoso, Juan Quintero (na milésima substituição acertada de Castro) que o jogo voltou a ter magia.
Porque com Quintero em campo tudo é diferente, o sector central voltou a ser explorado e minuto após minuto surgiam oportunidades de perigo, com Kelvin a entrar para se juntar ao grupo de jogadores a dar gás ao Dragão. E talvez seja mesmo está a grande força do Futebol Clube do Porto: a juventude talentosa.
Já se sabe: com confiança a história é outra e assim foi a partir do momento em que a bola regressou aos pés do Futebol Clube do Porto - bem a tempo de disputar e continuar a lutar pela eliminatória no sempre intimidante San Paolo. O desafio que se segue? Mais uns quartos-de-final de uma competição europeia!
Os primeiros minutos adivinhavam-se como complicados e de outra maneira não poderia ser. O resultado (curto, repito, não por culpa própria) da primeira mão forçava a equipa da casa a lutar pelo primeiro tento enquanto os visitantes se poderiam refugiar e tentar salvar a vantagem trazida do Dragão durante o máximo de tempo possível. Um golo bastaria para complicar a tarefa ao conjunto napolitano e assim foi, depois de muita luta e sangue deixado em campo.
Ainda assim, e apesar de os tempos de Maradona já lá irem, Higuaín e companhia apresentaram-se uma vez mais a um excelente nível para justificar os gastos feitos pelo Nápoles na última temporada (ainda que, em grande parte, financiados pela venda de Cavani - gastos como o Futebol Clube do Porto deveria, aliás, passar a fazer!) e lutar até ao último minuto pelo apuramento para os quartos-de-final.
Estiveram perto mas Luís Castro reagiu e mexeu a tempo. Sempre ativo do seu rectângulo tracejado, o técnico não tardou a mexer e rapidamente se viu dar frutos colocar Ghilas (autor do primeiro golo azul e branco) e Josué (protagonista de uma bela assistência naquela que foi a melhor jogada de todo o encontro) dentro de campo. A eliminatória começava a estar resolvida e com a confiança restabelecida a exibição foi outra. Como sempre, quando confiante o conjunto portista exibi-se a um altíssimo nível.
Amanhã, será dia de conhecer o adversário de mais uns quartos-de-final numa competição europeia, uma das muitas que ainda podemos vencer em 2013/2014. Em frente, Porto!
Já há muito tempo que as palavras proferidas por um determinado presidente de Lisboa passam os limites do razoável. Esta semana BdC voltou à carga e a resposta (de qualidade, como se esperava) não tardou. Um conselho, meus caros: não brinquem connosco.
COMUNICADO DA ADMINISTRAÇÃO
O Conselho de Administração da FC Porto – Futebol, SAD, reunido hoje, face aos acontecimentos que precederam e ocorreram durante o jogo Sporting-FC Porto, deliberou solicitar ao departamento jurídico efectuar uma participação disciplinar junto da Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga Portuguesa de Futebol Profissional contra o Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD e o seu presidente.
A campanha de condicionamento da arbitragem, com o anúncio da interposição de acções judiciais aos árbitros desta época e da anterior, extensível aos membros dos órgãos jurisdicionais do Conselho de Disciplina e do Conselho de Justiça, a que se juntou a ameaça de acções com pedidos indemnizatórios contra os árbitros dos jogos futuros, como era o caso do Sporting-FC Porto, configuram uma intolerável violência moral com a intenção de constranger os agentes desportivos, resultado do presente no artigo 66 do Regulamento Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.
Há perder e perder e a verdade é que se contra o Atlético de Madrid e o Zenit perdemos a jogar bem, os últimos jogos haviam sido uma autêntica avalanche de perca de confiança entre muitas outras coisas.
Entretanto, apareceu (e bem!) Luís Castro. Com ele veio a dinâmica, que regressa assim ao reino do Dragão a tempo de corrigir uma época mal iniciada e ainda pior continuada. Se contra o Arouca era mais do que obrigatório vencer, a verdade é que contra o Nápoles, na primeira mão dos oitavos-de-final da Liga Europa, foi visível o regresso do bom futebol e a vitória até devia ter sido mais rechonchuda - não foi culpa nossa, entenda-se.
O futebol organizado regressou, a defesa aparenta estar mais e melhor orientada, o meio campo volta a apresentar-se forte como nas temporadas passadas e, lá na frente, a inspiração começa uma vez mais a surgir. Agora liderado pelo imparável e mágico Ricardo Quaresma, o sector ofensivo está a entender-se melhor do que alguma vez havia em 2014 e Jackson, esse, parece estar disposto a também ele voltar aos golos.
Não deixa de ser curioso que num texto tão pequeno repita tantas vezes o verbo voltar. Mas assim como é curioso, é também natural, dado que foram tantas as asneiras cometidas por Paulo Fonseca que seria inevitável não falar em progressos e melhorias.
Agora, espaço para destacar o que mais me parece ter mudado com a troca de treinadores: o tempo de reação (e a própria reação): se Paulo Fonseca esperava até aos últimos minutos para mexer na equipa, salvo raras excepções, Luís Castro aposta em jovens com Quintero a meia-hora do final do jogo, procurando dar ainda mais dinâmica à equipa através de injecções de talento e motivação. E assim se constroem equipas capazes de lutar por títulos!
Agora, espaço para destacar o que mais me parece ter mudado com a troca de treinadores: o tempo de reação (e a própria reação): se Paulo Fonseca esperava até aos últimos minutos para mexer na equipa, salvo raras excepções, Luís Castro aposta em jovens com Quintero a meia-hora do final do jogo, procurando dar ainda mais dinâmica à equipa através de injecções de talento e motivação. E assim se constroem equipas capazes de lutar por títulos!
Demorou mas chegou. A saída de Paulo Fonseca foi finalmente consumada e Luís Castro, que até aqui comandava a equipa B que ia ocupando o primeiro lugar na segunda liga, assume o cargo até ao final da temporada.
Não me interpretem mal. Não gosto nem nunca gostei de ver uma equipa trocar de treinador a meio de uma época, mas quando as soluções se esgotam há que evitar fugir ao inevitável e agir o mais rapidamente possível. Na minha opinião, e como todos os que com alguma regularidade por aqui passam, já se deveria ter consumado esta alteração à mais tempo, mas mais vale tarde do que nunca.
Apesar de tudo, o meu obrigado, Paulo Fonseca, pois apesar de não ter concordado com grande parte das suas decisões acredito que tenha dado o seu melhor para levar esta equipa ao sucesso. Desejo-lhe a melhor das sortes por este universo fora.
A Luis Castro, força! Que continue com o bom trabalho que aparentemente desempenhou na equipa B e tenha a última época como inspiração. Que se lembre de que o Futebol Clube do Porto já venceu uma competição está época e que, para além do campeonato, tem ainda mais três por disputar. Força!
Ainda há pessoas inteligentes no mundo do futebol. Muitas, aliás. No entanto, não é o caso de Paulo Fonseca. Sem querer desafiar a sua inteligência fora das quatro linhas, a verdade é que dentro delas deixa muito a desejar. E a parti daqui testemunhamos uma total avalanche de que resultam erros e bloqueios cerebrais colectivos.
Ora estava a desenrolar-se o Futebol Clube do Porto x Guimarães na cidade berço quando a equipa azul e branca deixou escapar mais uma preciosa vantagem de dois golos. Coisa rara em épocas anteriores, à excepção de quando éramos comandados por Co Adriaanse, mas que parece tornar-se frequente sob os comandos de Fonseca. Foi então que um adepto inteligente (sem ironia alguma) comentou, convicto, algo como 'Ponham pinos a defender, vai dar ao mesmo!'. E não poderia estar mais certo. Se o sector ofensivo se aproxima do lamentável de quando em quando e o meio-campo segue o mesmo caminho, a defesa tem sido lastimável.
Paulo Fonseca, claro, de nada se apercebe quando está dentro do campo. Nada faz, nada pensa, nada muda. Cumpre, portanto, o papel de adepto, mas funções de treinador nem vê-las. No entanto, e surpreendentemente para a minha pessoa, vai à flash-interview no final do jogo mostrar o seu espanto e admitir que não sabe o que fazer para que as coisas melhorem. Ora, quando assim é, o que há a fazer senão refrescar o lugar?
Não vi o jogo todo. Pela primeira vez em muitos anos falhei um jogo completo do Futebol Clube do Porto, não por escolha própria mas porque a partir dos últimos minutos da primeira parte se tornou humanamente impossível para a minha pessoa assistir ao duelo.
No entanto, estaria a mentir-vos se dissesse que uma parte de mim não ficou satisfeita por não poder assistir ao jogo todo. Não gostei do começo, do pouco que vi. Há sofrimentos e sofrimentos e aquele pelo qual passamos agora é evitável, incómodo, desapontante. Da mesma forma, também várias opções feitos, pontos perdidos e rumos tomados são/seriam evitáveis, mas concentremo-nos no que há de positivo. Quase tudo, na verdade, se nos concentrarmos naquilo em que o Futebol Clube do Porto está e não na forma em que está.
Estamos apurados para os oitavos-de-final da Liga Europa, competição que nos conhece bem e na qual temos grandes expectativas. Não, o encontro no Dragão não foi o melhor e nele se 'manchou' uma noite que poderia ter sido mágica (recorde-se o golo apontado por Ricardo Quaresma); não, o jogo em Frankfurt não é exemplo de um bom jogo da nossa equipa. No entanto, serve como exemplo da luta, da ambição, do esforço azul e branco, porque só assim foi possível sair da Alemanha com um resultado favorável - ainda que, na prática, sejam dois empates. Auf geht's!
Do ponto de vista europeu falando, tudo se vai tornando mais complicado. Se o sorteio foi relativamente amigável ao colocar-nos pela frente um Eintracht Frankfurt que não vive um momento tão bom quanto o da época passada, nos oitavos-de-final tudo muda de figura ao termos o Nápoles pela frente. Nápoles, o clube que a par dos igualmente eternos Juventus e Roma melhor pratica futebol em Itália nos dias que correm. Apesar de algumas saídas de valor no último par de anos, o seu plantel continua a meter respeito e é bom que assim seja, pois o conjunto de Paulo Fonseca precisa de um choque elétrico de tal maneira forte que não volte a adormecer. Posto isto, andiamo!
Penso que já aqui o referi mas repito: fui dos primeiros a defender Paulo Fonseca aquando da aposta de Jorge Nuno Pinto da Costa sobre si para técnico da equipa principal do Futebol Clube do Porto, pelo que como tal me vejo no direito de agora manifestar o meu desagrado com o próprio.
Tudo tem um fim e depois do complicado mês de fevereiro que agora chega ao fim Paulo Fonseca deveria abandonar as instalações azuis e brancas. Claro que não é aconselhável terminar contrato com um técnico em plena época, claro que tudo pode ser dito e feito de outra maneira quando a equipa ainda está presente em quatro competições e já conta com um titulo conquistado, mas isto não se resume a "falta de sorte". Resume-se sim a (compreensível, claro, mas não mais tolerável) inexperiência, consequente ausência de sabedoria para sair de ou evitar certas situações, e teimosia.
O Futebol Clube do Porto perde, o Futebol Clube do Porto empata, o Futebol Clube do Porto pouco vence. Nos últimos seis jogos que disputámos para o campeonato somámos três, três(!) derrotas. Já vamos em quatro no presente campeonato. Dos quatro jogos europeus que disputámos no Dragão vencemos... Zero. Somámos ontem, perante o Estoril, a primeira derrota para a Liga Portuguesa 'em casa' ao fim de mais de cinco anos. Basta! Tudo tem um fim e o de Paulo Fonseca tem de ter lugar agora.
Se é verdade que Fonseca deve abandonar o comando da equipa o mais rapidamente possível - apesar de sete pontos serem uma enormidade ainda para mais se pensarmos que chegámos a ter cinco de vantagem sobre o mesmo rival... - de forma a ganharmos esperanças de, pelo menos, terminarmos a época em boa forma e com resultados positivos, é também verdade que os próximos dias serão a pior altura para o fazer. Não sei a que cidade dá acesso o seu bilhete, se a Leverkusen ou Frankfurt, mas temos uma segunda mão de uma prova europeia para disputar e até ao final do jogo de quinta-feira não deverá ser tomada qualquer decisão. No entanto, e mesmo que quase por milagre dadas as circunstâncias consigamos ultrapassar o conjunto alemão, na noite de quinta-feira será altura para abrir a porta de saída ao técnico português. Basta!
Eu também queria estar na Champions League. Eu queria sentar-me em frente à televisão numa terça-feira à noite para ver o Futebol Clube do Porto jogar. Mas nada disto é possível e a única alternativa foi assistir a dois outros jogos, de entre dos quais o do PSG.
Paris Saint Germain, campeão francês que, esse sim, defrontou (e goleou) o Bayern de Leverkusen. Repito, eu também gostava de estar na Champions League. Mas não estou. Como tal, o mínimo que peço é a dedicação de toda a equipa para conseguir uma campanha aceitável na segunda competição mais importante. Existiu. Da equipa, dos jogadores, houve dedicação.
No entanto, houve um senhor que foi mais longe do que nunca. Paulo Fonseca costuma limitar-se a assistir aos encontros de braços cruzados ou atrás das costas, celebrando efusivamente um golo contra uma equipa de fundo da tabela, mas desta vez foi diferente. Não (e felizmente...) satisfeito com o, perdoem-me, vergonhoso resultado, decidiu ir para a flash interview sonhar. O Bayern nada fez para merecer este resultado e teremos de ir a Leverkusen lutar por golos e pela vitória. Assim será difícil. Aliás, assim será impossível. E se pode parecer um exagero dedicar tantas linhas a este episódio, a verdade é que na minha opinião declarações destas vindas do treinador refletem e justificam o estado atual do Futebol Clube do Porto.
Em nota de rodapé, e porque soluções após o segundo golo do conjunto alemão não existiram e portanto não nos foi possível inverter o resultado, é de sublinhar, destacar, mencionar, elogiar, apreciar, o golo de Ricardo Quaresma. Que obra de arte! Um ou outro comentador inglês não foi além da inocência, admitindo julgar que o cruzamento era o objectivo do português, mas quem o conhece, quem já o viu jogar no Dragão, sabe que daquela zona e naquelas circunstâncias o único alvo era a baliza. E ainda bem que o foi. Que belo momento de magia.
Não poderia haver pior forma de começar o mês mais complicado da temporada. Repito, meus caros, não poderia haver pior forma de começar o mês de fevereiro. Não falo particularmente da derrota em si, porque essa acabou por ser o minimizada pelos deslizes dos rivais directos, mas do jogo jogado. Ou falta de.
Uma vez mais - afinal, tem vindo a tornar-se hábito nos comandados de Paulo Fonseca - não se viu futebol. Se no encontro da Taça da Liga a equipa ainda correu atrás do esférico com a intenção de o inserir na baliza adversária, a verdade é que no Funchal estiveram presentes em campo onze indivíduos vestidos de azul e branco que não sabiam o que fazer.
Os choques entre companheiros de equipa são, actualmente, uma constante; as ausências de situações de perigo são ainda mais preocupantes e a falta de golos é evidente. Assim será impossível vencer o que quer que se assemelhe a uma competição oficial.
O pior disto tudo? Em fevereiro disputamos ainda mais sete jogos oficiais.
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