Os primeiros dias da temporada de 2013/2014 não poderiam estar a correr de melhor forma para o Futebol Clube do Porto, que já lidera isolado a tabela do campeonato português. No entanto, nem tudo é positivo, dado que, e apesar de à boa prestação na liga portuguesa ainda se juntar a ausência de transferências de última hora, o sorteio da Liga dos Campeões foi pouco ou nada favorável.
Altos e baixos no campeonato; no entanto, nove pontos em nove possíveis
Se a exibição contra o Marítimo, na estreia da equipa no Estádio do Dragão, se mostrou bastante produtiva e resultou em três golos sem resposta frente a um conjunto que, na jornada anterior, havia derrotado um dos principais candidatos ao título, o jogo no terreno do Paços de Ferreira desmascarou algumas dificuldades concretizadoras que ainda possam existir, mas uma vez compensadas pela enorme qualidade de Jackson Martínez.
Com Quintero a espalhar, mais uma vez, magia pelos campos onde passa, os Dragões sofrem agora com as ausências de Mangala e Danilo, ambos lesionados, mas Maicon e Fucile parecem estar uma vez mais à altura dos desafios e apresentam-se como excelentes jogadores para estas situações. Lá na frente, a qualidade mantém-se e com isto se começará o último tópico deste artigo.
Grupo na Champions assusta e dá que pensar
Final de agosto indica que o sorteio da Liga dos Campeões está prestes a ter lugar e, mais uma vez, a sorte não teve do nosso lado. Com Zenit de São Petersburgo, Atlético de Madrid e Áustria de Viena inseridos no Grupo G juntamente com o Futebol Clube do Porto, significa que três dos últimos em luta pelos dois lugares de apuramento para os oitavos-de-final estarão três das últimas cinco equipas que venceram a Liga Europa.
Claramente de nível inferior é o Áustria de Viena, considerado o grande outsider do Grupo, mas que, no entanto, não pode ser colocado de parte na luta por um lugar europeu. E se Hulk regressará ao DRagão, não será possível aos adeptos portistas reverem Radamel Falcao (que este defeso viajou para o Mónaco), o que, contudo, não pode ser motivo de satisfação: o conjunto espanhol apressou-se a encontrar um substituto à altura do colombiano - David Villa.
Deadline Day perdoa e não causa estragos de maior
Jackson Martínez fica, os adeptos descansam. Ao longo dos últimos dias foram muitas as notícias que davam como (quase) certo Jackson Martínez fora do Futebol Clube do Porto, tal como Mangala e Fernando. Felizmente, e para contrariar o já habitual dia louco que se viveu um pouco por toda a europa - especialmente devido às transferências de Gareth Bale e Mesut Ozil -, os jogadores azuis e brancos desde cedo se mostraram empenhados em descansar os seguidores portistas.
Através das redes sociais e dos meios de comunicação social, Jackson, Mangala e Fernando confirmaram que serão dragões por mais uma temporada, sendo Juan Iturbe o único atleta a abandonar o barco neste último dia de mercado, com a cedência com opção de compra ao Hellas Verona. Tudo certo até agora, dado que o argentino deixou muito a desejar e nunca se conseguiu afirmar na equipa.
Salvo surpresas de maior em janeiro, estão reunidos todos os jogadores necessários para se realizar mais uma época ao mais alto nível com a qualidade a que já estamos habituados.
Estádio do Bonfim, 18 de agosto de 2013. Numa tarde ensolarada, as camionetas aproximavam-se do maior estádio da cidade de Setúbal. As ruas enchiam-se cada vez mais de adeptos com camisolas azuis e brancas, laranjas, amarelas. Era difícil encontrar-se um adepto do Vitória no caminho para o estádio, onde, mais uma vez, predominavam as cores do Futebol Clube do Porto.
O campeonato começava aqui para os tricampeões nacionais, que depois de vencerem a supertaça procuravam arrancar da melhor forma possível na liga e num dia em que a massa associativa correspondia ao momento, esgotando o topo sul e contribuindo para um belo ambiente na primeira de muitas jornadas do campeonato português.
Entrar no campeonato a vencer e no topo
Cheguei a Setúbal entre as 18 e as 18h30. Entusiasmado com o começo de mais uma época e por poder ver o meu Porto ao vivo uma vez mais (afinal, são poucas as vezes que a equipa se desloca aos arredores de Lisboa e não é fácil viajar mais longe), fiquei cada vez mais ansioso pelo começo do encontro à medida que o relógio avançava. Já no estádio, os primeiros cânticos surgiram muito antes do apito inicial, tudo porque a muitos, muitos quilómetros de distância, o Marítimo vencia em casa, num palco de grande (e irónico) destaque na época passada, um dos principais candidatos ao título.
Voltando ao jogo, tínhamos pela frente o Vitória Futebol Clube. Não é tradição arrancarmos o campeonato de forma tranquila (na época passada perdemos inclusive pontos), mas éramos claramente favoritos e não passava pela cabeça de ninguém desperdiçar esta oportunidade 'dupla'. Na fase de aquecimento notaram-se algumas mudanças em relação à equipa de Vítor Pereira e deu para fazer as contas ao onze, que, à excepção de um ou outro plantel, seria o que inicialmente entrou em campo para ultimar a sua preparação.
O começo foi bom, convenceu, e rapidamente surgiu a ideia de que o golo apareceria com normalidade e nos primeiros minutos do encontro. No entanto, nada disto aconteceu, e, ao estilo do também meu Liverpool, os ataques foram feitos uns atrás dos outros mas sem nenhum efeito prático. 'Sem frutos', como diz o povo. Utilizando outro ditado, 'quem não marca sofre' e não fugimos à regra. As tentativas continuavam a ser feitas, mas no topo sul (onde se encontravam milhares de adeptos portistas vindos de todo o país, que enchiam a bancada literalmente até às escadas - já lá vamos) ninguém parecia convencido. Os jogadores aparentavam algum nervosismo, muito possivelmente por terem tido conhecimento de outros resultados, e nada saía como era suposto.
A insatisfação, mas, sobretudo, a surpresa era notória na cara de cada adepto portista. Um por um, todos esperávamos sair para o intervalo a vencer, com mais ou menos dificuldades mas esperávamos. As críticas, a maioria justa, diga-se, começavam a ser feitas de forma natural, tal era a apatia que se verificava em cada jogador nos últimos minutos do primeiro tempo. A segunda parte foi diferente, não em tudo o que se podia mas os três golos (e o alívio) serviram para fazer esquecer tudo o que de mau se viu.
Josué encantou com a marcação da grande penalidade, a jogada com Jackson para o terceiro e último golo e muitos outros pormenores no meio-campo, sendo mesmo um dos candidatos a homem do jogo; Quintero, esse, provou mais uma vez estar próximo de assegurar um lugar no onze inicial, por toda a sua qualidade e capacidade de fazer a diferença, como se pode verificar no momento do segundo tento - que, apesar de ter sido apontado na primeira jornada, ficará lembrado como um dos melhores de todo o campeonato. Foram poucas as figuras individuais do encontro, pelo menos do lado portista, que ainda assim cumpriu o seu objectivo, comum ao de todos os adeptos presentes: vencer.
Se o começo foi bom, o final também o foi e o Futebol Clube do Porto sai de Setúbal com um triunfo, o primeiro de muitos, e três golos marcados contra um sofrido, dando um sempre difícil primeiro passo rumo ao Tetracampeonato. Quanto a mim, saio mais uma vez satisfeito do estádio e ainda sem alguma vez ter visto o meu Porto perder.
* Por fim, e apesar de não ser do meu agrado aqui deixar este parágrafo, umas palavras às infraestruturas de um clube da primeira divisão portuguesa, um clube profissional, e a todo o pós-jogo: quando são vendidos mais bilhetes do que lugares disponíveis (e tal foi verificado, pois era visível que dezenas de adeptos foram forçados a assistir ao encontro nas escadas, antes de ser aberta, de um dos lados, a porta de uma outra bancada para melhorar ligeiramente o trânsito nesse lado), algo está mal. Quando não é feita uma distinção entre as claques oficiais - reconhecidas pelo clube - e os restantes adeptos - que são então forçados a permanecer no estádio e a abandoná-lo pelo mesmo caminho (entenda-se, linha lateral, com uma forte barreira a proteger a relva) - algo está mal. A Liga/Federação Portuguesa de Futebol não pode ficar parada e é urgente que seja feita uma reavaliação a todos os estádios situados em território nacional que se candidatem a receber encontros oficiais, profissionais, pois, e por muito carinho que tenha pela cidade de Setúbal e pelo Vitória FC, o Estádio do Bonfim não é capaz de acolher com condições um jogo de futebol da Liga Zon Sagres.
Um jogo, três golos, um troféu. Esta seria a forma mais simples de descrever a noite de hoje do Futebol Clube do Porto, mas tão boa exibição não merece tal limitação - vamos então desenvolver um pouco mais.
De ano para ano, o adepto portista tem já o hábito de celebrar a vitória azul e branca no primeiro jogo oficial da respectiva temporada, que por consequência permite à equipa arrancar a época com a conquista do seu primeiro troféu. 2013 não foi diferente e, esta noite, com uma exibição ao mais altíssimo nível e que impediu o adversário de sequer realizar qualquer remate digno de ser considerado perigoso, o tricampeão nacional conquistou a sua vigésima Supertaça Cândido de Oliveira, vencendo o Vitória Sport Clube, de Guimarães, por 3-0.
Com Licá inserido no onze inicial, naquela que era a maior surpresa da estreia oficial de Paulo Fonseca ao comando dos Dragões, desde cedo deu para perceber qual das equipas entrava em jogo com maior poder de fogo, como aliás era expectável. O que não era esperado era, talvez, que avançado português de vinte e quatro anos contratado ao Estoril Praia no presente defeso apontasse o primeiro golo do encontro logo aos cinco minutos, respondendo da melhor forma a um excelente cruzamento de Lucho González.
Para quem criticava o triângulo invertido que Paulo Fonseca havia implantado, esta foi também uma prova de que as tácticas aplicadas pelo treinador português têm pés e cabeça e não alteram de forma alguma as intenções ofensivas do Futebol Clube do Porto, como viria mais uma vez a ser de fácil observação aos 17' e aos 45' minutos, quando Jackson Martínez e Lucho aumentaram a vantagem.
Com nove jogadores 'da casa' inseridos no onze inicial, aos quais se juntava ainda o também conhecido Fucile, Paulo Fonseca mantinha a estrutura da equipa e pouco arriscava com os novos reforços, vindo mais tarde a permitir a Josué (seu conhecido dos tempos no Paços de Ferreira) e Juan Quintero (um dos mais talentosos jogadores que ao FC Porto se juntou nos últimos anos, sendo apontado como um dos jovens mais promissores do futebol mundial) estrearem-se em jogos oficiais. A resposta foi rápida e bastante positiva, dado que como toda a equipa os jogadores em questão mostraram pormenores bonitos e eficazes que contribuíram para as iniciativas ofensivas.
De facto, pouco ou nada há a criticar, pois a abertura de época oficial foi de tal forma feita com qualidade e autoridade que é difícil (e desaconselhável) pegar no encontro por alguma ponta negativa. Feitas as contas, são já vinte as Supertaças conquistadas pelo Futebol Clube do Porto (cinco delas de forma consecutiva), que este ano se tornou na primeira equipa a erguer o troféu renovado da competição.
É ainda de destacar o brilhante apoio que todos os espectadores presentes no estádio, independentemente das cores que defendiam, prestaram aos seus conjuntos, num espectáculo exemplar e que merece ficar para sempre eternizado como um exemplo do que é o futebol dentro e fora do campo.
Publicado originalmente n'O Olho Azul e Branco.
Muda a forma, mantém-se o título, e, como tal, o objectivo do Futebol Clube do Porto é o mesmo que o de nove das últimas dez temporadas: começar a época oficial com um triunfo e conquistar assim a Supertaça Cândido de Oliveira.
Desde 2003, a única época na qual não disputámos a competição foi em 2005, sendo que nas restantes levantámos o troféu de vencedores em todos os anos à excepção de 2007 e 2008 (ambos os jogos foram ganhos pelo Sporting). Em 2013, o visual do troféu é outro, o que, no entanto, não interfere com a intenção da equipa de começar a época com a conquista do primeiro título oficial.
Há dez anos, Helton vestia a camisola da União de Leiria e dificultava a tarefa (1-0) a José Mourinho, já vencedor da Liga Europa e campeão europeu no final da temporada. Este ano, Helton defende pela nona temporada consecutiva o equipamento azul e branco e terá a oportunidade de conquistar a sua sexta Supertaça, enquanto Paulo Fonseca está a apenas uma vitória de vencer o seu primeiro título profissional.
Nunca é fácil transitar de um conjunto de encontros de carácter amigável para um jogo oficial que decide um título: não há segunda mão, não há mais jornadas. Tudo se decide nos noventa minutos ou, caso seja necessário, nos 120' e depois nos penalties; não há outro adiamento possível. No entanto, o Futebol Clube do Porto tem-se mostrado capaz de realizar esta tarefa com sucesso na maioria das vezes que tem a hipótese de o fazer e este ano, frente a um Vitória bastante motivado pela conquista da Taça de Portugal, pode aumentar para vinte o número de Supertaças conquistadas.
Apostar na experiência e segurança ou nos reforços de verão?
Com a chegada de onze jogadores (se contarmos com os regressos de Iturbe e Fucile e o já anunciado empréstimo de Tiago Rodrigues ao Vitória, que terá efeito após a disputa do jogo de sábado), que ao longo dos encontros de carácter amigável mostraram detalhes importantes e potencial que eventualmente lhes permitirá entrar várias vezes em campo ao longo da época, Paulo Fonseca enfrenta vários dilemas logo à partida para o primeiro jogo de 2013/2014: apostar nos já referidos reforços, usando-os de forma a colmatar pequenas lacunas, ou optar pela utilização de jogadores da casa, mais experientes no futebol português e ao serviço do FC Porto?
Os recém chegados Juan Quintero, Hector Herrera, Josué e Nabil Guilas foram dos atletas mais apreciados na pré-época, tal como Juan Iturbe, que, quando jogou, conseguiu uns bonitos e produtivos pormenores de altíssima qualidade (de entre os quais se destaca o golo apontado frente ao Marselha).
Se Guilas vê Jackson Martínez negar-lhe automaticamente a titularidade, Josué - que trabalhou com Paulo Fonseca no Paços de Ferreira, conhecendo muito bem a sua filosofia de jogo - e Herrera poderão lutar com Defour pelo lugar vago no meio-campo portista (sendo que Lucho González e Fernando deverão ser titulares sem qualquer tipo de dúvidas, salvo algum imprevisto de última hora), onde poderá ainda surgir Quintero (mais adiantado, na posição 10 - isto quando não fizer de extremo, que apesar de não ser a sua posição de eleição é um lugar que ocupa igualmente de forma categórica).
Já Iturbe, que brilhou ao serviço do River Plate no último defeso, luta directamente com Kelvin, a figura do jogo que acabou por se tornar decisivo na luta pelo campeonato, pelo último lugar na frente de ataque, ao lado de Jackson e de Varela. Com o colombiano a ocupar a posição mais avançada e o português o lugar no corredor direito, o argentino e o brasileiro espalharam talento em todos os encontros que disputaram e prometem uma luta acesa pela posição ao longo de toda a temporada.
Subida de rendimento é a expressão chave para este artigo e caracteriza a exibição do Futebol Clube do Porto frente ao Nápoles na tarde deste domingo, em pleno Emirates Stadium, Londres.
Depois de um primeiro jogo frente ao Galatasaray em que o segundo tempo foi claramente menos produtivo que o inaugural, apesar de termos ainda assim disposto de algumas oportunidades, o embate frente ao Nápoles foi bem mais produtivo e os resultados estão à vista. Constantes desde o primeiro ao último minuto, os jogadores (no onze inicial apenas se mantiveram Alex Sandro e Silvestre Varela, com Paulo Fonseca a apostar numa forte rotação do plantel) deram sinais de claro entendimento quer em situações defensivas, quer de transição, quer ofensivas, alcançando assim um nível de jogo muito próximo do pretendido para os jogos oficiais.
Engane-se quem pensa que do outro lado estava uma mera equipa do futebol italiano, pois apesar de não se ter apresentado com a totalidade das suas 'estrelas' no começo do encontro, o Nápoles é o vice-campeão em título da Serie A e uma das duas equipas com mais condições de lutar pelo Scudetto na próxima época, a par da Juventus.
Regressando ao encontro, foi especialmente interessante observar o comportamento e exibições de alguns dos novos reforços mas, em especial, de Hector Herrera e Juan Quintero, que jogaram 89 e 72 minutos, respectivamente.
Vindo do Pescara, equipa que competiu pela sexta vez na Seria A na temporada passada, Quintero apresentou-se claramente ambientado ao futebol europeu e melhor lugar e adversário para jogar mais de dois terços do encontro seria difícil, dado que tinha pela frente um conjunto italiano. Tal como ao serviço da selecção de sub-20 da Colômbia, o jovem de vinte anos (que alternou entre a posição de '10' e de extremo) encantou com os seus dribles em profundidade e aproximações ao canto da grande área para tentar o remate, dando ainda um pequeno cheirinho do que é capaz de fazer aquando da marcação de um livre directo.
Com um bom futebol, que pelo meio viu ser assinalada uma grande penalidade inexistente (curiosamente, todos os jogos da competição tiveram pelo menos uma grande penalidade), os Dragões acabariam por selar o resultado final em 3-1, com Guilas (50') e Licá (78') a marcarem os golos azuis e brancos, depois de Fernández (68') ter colocado a bola na sua própria baliza, pressionado pelo avançado argelino; ainda no primeiro tempo, Pandev (40') havia convertido o já mencionado penalty.
Drogba estraga festa portista nos minutos finais
Foi com um golo aos 87' minutos (apenas nove depois de ter convertido a grande penalidade) que o costa-marfinense Didier Drogba estragou a festa azul e branca em Londres, ao dar o triunfo ao conjunto turco do Galatasaray frente ao Arsenal, que se havia adiantado no marcador por intermédio de Theo Walcott aos 39' minutos.
Com cada golo a dar direito a um ponto, o Futebol Clube do Porto havia passado de 0 para 6 (aos pontos por golo somam-se os do resultado) e precisava de um empate entre Arsenal (com 3 à entrada para o encontro) e Galatasaray (na altura com 4) para garantir a primeira posição na tabela classificativa da competição amigável.
Classificação final:
- Galatasaray - 9 pontos (4 vs FC Porto e 5 vs Arsenal);
- FC Porto - 6 pontos (0 vs Galatasaray e 6 vs Nápoles);
- Arsenal - 4 pontos (3 vs Nápoles e 1 vs Galatasaray);
- Nápoles - 4 pontos (3 vs Arsenal e 1 vs FC Porto);
Publicado originalmente n'O Olho Azul e Branco.
Enquanto, em França, o PSG vencia a Supertaça frente ao Bordéus e o Mónaco de Falcao e James Rodríguez vencia o Tottenham de Villas Boas por 5-2, do outro lado do canal da mancha o Futebol Clube do Porto e o Galatasaray inauguravam a sexta edição da Emirates Cup, naquele que prometia ser um dos jogos mais equilibrados da competição amigável organizada pelo Arsenal.
Como previsto anteriormente neste espaço, seria um dos jogos mais complicados que a nossa equipa disputaria na presente pré-temporada, dado que do outro lado do campo estariam jogadores como Felipe Melo, Didier Drogba e Wesley Sneijder, ou mesmo o guarda-redes Fernando Muslera, e assim foi.
Se no primeiro tempo o conjunto azul e branco, hoje apresentado com o equipamento alternativo, levou claramente a melhor, protagonizando os maiores lances de perigo e de brilho a nível individual, no segundo período a equipa do Galatasaray elevou o nível de jogo - que, aliado à redução de rendimento, acabou por resultar na primeira perda de 'pontos' da época de 2013/2014.
Lances chave do encontro: Basta uma rápida recapitulação do encontro para se perceber que perdemos por culpa própria. Os lances foram criados, bem estudados e desenvolvidos mas a bola não entrou nem em jogo corrido nem da marca de grande penalidade, sendo que Jackson Martínez e Lucho González fizeram questão de recordar os dias mais negros da época passada ao desperdiçarem duas oportunidades de ouro que poderiam ter decidido o encontro. Do outro lado, o Galatasaray não perdoou e concretizou o penalty de que dispôs.
Falta de rotação do plantel deixa algo por desvendar: Apesar de se tratar de um dos últimos jogos de preparação, o que força a que o treinador aposte numa estratégia mais semelhante àquela que pretende utilizar na grande maioria dos jogos oficiais que em breve se iniciarão, era esperada uma maior rotação de todo o plantel, em especial devido à disputa de um outro encontro menos de vinte e quatro horas depois.
»Ainda assim, Paulo Fonseca optou por manter em campo grande parte dos jogadores que entraram no Emirates Cup na condição de integrantes do onze inicial, talvez à procura de imprimir maior ritmo de jogo para as próximas semanas, nas quais a equipa terá já de disputar a Supertaça Nacional e as primeiras jornadas da Liga Portuguesa.
Este domingo, e novamente às 14h, será a vez dos Dragões medirem forças com o Nápoles (vice-campeão italiano e que este ano promete voltar a lutar pelo título), que hoje empatou com o Arsenal por 2-2.
Foi em puro ambiente de relaxamento que a comitiva azul e branca se deslocou ao Aeroporto Sá Carneiro para, às 16h30 desta sexta-feira, rumar o Londres, onde este fim-de-semana disputa os seus dois últimos encontros de carácter amigável.
Apesar de participar na Emirates Cup, organizada pelo Arsenal e disputada no Emirates Stadium, o Futebol Clube do Porto não defrontará a equipa londrina, tendo ficado sorteado que mede forças com os turcos do Galatasaray no sábado e com os italianos do Nápoles no domingo, sempre às 14h locais e de Portugal Continental.
Escalados todos os elementos do plantel principal à excepção do russo Marat Izmaylov, que mais uma vez promete baralhar as contas e palpites aos adeptos azuis e brancos, e depois de seis vitórias nos encontros que inauguraram a pré-temporada, o Futebol Clube do Porto terá agora pela frente duas equipas de um nível bastante considerável, à semelhança do Marselha (que acabou por se revelar um adversário algo fácil de bater aquando da disputa da Valais Cup).
Com jogadores como Fernando Muslera, Wesley Sneijder e Didier Drogba no seu plantel, o Galatasaray apresenta-se como uma das principais equipas a lutar pela passagem aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões na presente temporada, depois de ter vencido o campeonato turco na época de 2012/2013. Já o Nápoles, que perdeu a sua principal figura, Edinson Cavani, para o PSG, reforçou-se com jogadores como Callejón, Higuaín, Raúl Albiol e Pepe Reina, que prometem juntar-se a Marek Hamsik e Christina Maggio na lista de jogadores mais sonantes e prestigiados do conjunto italiano. Com o segundo lugar obtido à frente do AC Milan e apenas atrás da bicampeã Juventus, o Nápoles está volta à Champions League, podendo ser um dos adversários do FC Porto de Paulo Fonseca.
Com o factor equipa cada vez mais apurado e caracterizado pelo jovem treinador português, que se estreou da melhor forma enquanto líder dos dragões, tudo parece estar pronto para dois testes finais frente a equipas que, à entrada para 2013/2014, reúnem todas as características para serem consideradas tão perigosas como os tricampeões portugueses, ao possuírem plantéis com jogadores de excelente qualidade.
Publicado originalmente n'
O Olho Azul e Branco.
Depois do já habitual treino conjunto com a equipa do Valadares, ainda em Portugal, e do encontro frente ao modesto Maastrichtse Voetbal Vereniging (que actua na segunda divisão holandesa), este sábado pudemos finalmente ver o Futebol Clube do Porto versão 2013/2014 em acção frente a uma equipa de nível muito superior às anteriores e mais semelhante ao do nosso conjunto.
Se todos os reforços até à data contratados já se encontravam disponíveis para entrar em campo frente ao Marselha, num encontro que acabaria por definir a equipa vencedora da Valais Cup (em Sion), Quintero tinha sido confirmado horas antes e tornava-se na mais recente aquisição do nosso plantel, que garantia assim o nono jogador da época - havendo ainda a possibilidade de se juntar Bernard ao grupo, naquela que, na minha opinião, seria uma das maiores transferências da nossa história. Repito, história.
O onze inicial era claramente mais competitivo e transmitia a ideia de que Paulo Fonseca já pretendia colocar em acção grande parte dos jogadores com que deseja contar para os primeiros jogos oficiais da temporada e desde cedo se percebeu que muito do entendimento da época transacta se mantia, mesmo depois das vendas de James Rodríguez e, sobretudo, João Mourinho (o jogador que mais nostalgia provoca aquando de uma análise táctica a este novo Porto).
Ainda sobre o jogo, se a equipa do Olympique Marseille foi a primeira a chegar perto da baliza adversária, a verdade é que o golo inaugural foi marcado por Izmaylov, depois de um excelente remate de Kelvin que apenas parou na barra da baliza marselhesa. O conjunto francês continuava, esporadicamente, a chegar à grande área de Helton e a assustar o guarda-redes brasileiro, mas ficou mais uma vez provado que no futebol não basta pontapear a bola 'lá para a frente' - como muitas vezes vemos nos jogos da Liga Portuguesa. A consistência táctica e a existência de um plano que passe por manter a bola durante mais de dez segundos e que tenha ainda como objectivo a construção de uma jogada com princípio, meio e fim é sempre mais benéfica e, no final, os resultados costumam ser notórios. Em Sion, mais uma vez, saiu vencedora a equipa que optou pela construção de jogo e que, ainda assim, conseguiu rodar todo o plantel sem danificar a sua estrutura táctica.
'Táctica' tem vindo a ser uma palavra muito usada por mim ao longo da pré-temporada (não só neste post mas também nas minhas análises exteriores à blogosfera) e passo a explicar: independentemente de todo o desejo de querer ver os novos equipamentos e/ou as mais recentes aquisições em acção, considero que é o aspecto que mais atenção requer nestes primeiros testes, pois é crucial solidificar uma estratégia consistente para os primeiros desafios oficiais da época desportiva.
*sou defensor de uma apresentação limpa, mas, desta vez, não resisti a colocar o gif do magnífico golo do Iturbe no artigo. Para ver e rever, sem parar até um próximo tento de qualidade semelhante (devidos créditos do ficheiro para SIMAOFCP).
Porque não tive muito tempo desde o anúncio oficial e porque decidi esperar até a uma data mais próxima do começo dos trabalhos da equipa, apenas hoje vos falo da contratação de Paulo Fonseca, treinador que ao longo da última época se destacou no Paços Ferreira - equipa que conseguiu levar ao play-off da Champions League, em detrimento do há habitual Sporting de Braga europeu.
Jovem, com apenas quarenta anos, tem já experiência suficiente no futebol português para saber como vive o Futebol Clube do Porto, além de que, como terceiro melhor treinador em Portugal na época de 2012/2013, deixou mais do que bons indícios. Na sua apresentação oficial, feita no Porto Canal ao lado do presidente Jorge Nuno Pinto da Costa, deixou igualmente uma boa amostra da sua capacidade comunicativa, naquele que certamente era um dos momentos da sua carreira em que mais nervoso se sentia.
Posto isto, e avaliado o bom impacto que Paulo Fonseca parece ter feito em toda a mística azul e branca, resta-me apenas desejar-lhe a maior das sortes e também, ao contrário dos últimos anos, mostrar a minha satisfação com esta escolha desde o primeiro instante.
Quanto a Vítor Pereira, que agora ruma a um longínquo novo desafio na Arábia Saudita, a melhor das sortes e o meu sincero obrigado por todos os títulos que ajudou a serem conquistados.
Foi com grande satisfação que vi finalmente sinais de um bom planeamento de pré-época. Sem me querer opor muito às escolhas da direcção no que a este assunto diz respeito, dado que acabamos sempre por realizar um bom arranque de temporada oficial, a verdade é que há muito não concordava com os jogos (e países) a que nos prestávamos.
À excepção de um ou outro evento, a grande maioria dos jogos de pré-época era realizada frente a equipas de nível inferior, como da segunda liga francesa ou portuguesa ou mesmo equipas de baixo nível do principal escalão alemão.
A isto juntava-se a fraca - no meu entender - exploração daquilo que possuíamos, pois ao termos no nosso plantel jogadores como Radamel Falcao, Freddy Guarin, James Rodríguez e Jackson Martínez não fazia sentido algum não viajarmos para lá do Atlântico. Curiosamente, foi preciso perdermos três das nossas principais figuras colombianas para chegarmos finalmente a um acordo, que passa ainda por uma viajem à Venezuela para um outro jogo, mas mais vale tarde do que nunca!
À viagem à América do Sul junta-se ainda a participação na Emirates Cup, no terreno do Arsenal, que, apesar de não nos permitir defrontar a equipa londrina (o sorteio foi feito, e porque não estou a par das suas regras não sei o que levou à decisão de sermos a única equipa a não o fazer), nos dará a possibilidade de medir forças com equipas de nível europeu, como o Nápoles e o Galatasaray.
E assim se planeia uma boa pré-época: promovendo os interesses internacionais e monetários do clube, com uma digressão por país eventualmente interessados em ligar-se à instituição e aos jogadores, e participando em torneios internacionais amigáveis que contem com a presença de equipas de nível semelhante.
Em função do meu último artigo, que teve como objectivo anunciar as vendas de João Moutinho e James e ainda partilhar a minha total confiança no clube aquando de acções relacionadas com movimentos de mercado, venho agora e por este meio expressar o meu desagrado enquanto adepto de futebol, e não apenas do Futebol Clube do Porto.
Chegámos a um ponto em que o prestígio pouco ou nada começa a interessar, sendo cada vez mais substituído pelo poder monetário de cada entidade que, dia após dia, se chega à frente para dirigir (controlar será a palavra mais adequada, embora menos bonita) um clube.
Dinheiro para aqui, dinheiro para ali, e clubes de que há muito não se ouvia falar desta forma começam a dominar o mundo do futebol. Nada tenho contra aqueles que, anos e anos depois, regressam aos títulos, assim como nada tenho contra os investidores que procurem apenas ajudar um clube. O meu verdadeiro problema está em encontrá-los, porque até à data apenas testemunho a aquisição de instituições com outros objectivos, mais obscuros.
Continuando: o futebol está cada vez mais astronómico, os números mudaram completamente desde o início do século XXI e um bom exemplo disso é, por exemplo, uma simples constatação do registo de movimentos dos cofres do nosso clube, pelos quais já passaram milhões e milhões, devido às significativas vendas de muitos jogadores de qualidade. E assim é um pouco por todo o mundo, com a modalidade a transformar-se por completo num monopólio, um monopólio global que, dentro em pouco, dominará por completo e sem excepções à regra (porque aqueles que não tiverem as mesmas capacidades monetárias pouco ou nada poderão fazer) o mundo do futebol.
O dinheiro passará a trazer felicidade. Pelo menos à gíria futebolística, que conta já com clubes que sofreram injecções de dinheiro a sagrarem-se campeões de Inglaterra, de França, da Europa, etc. etc. etc.
A ligação entre o Futebol Clube do Porto e o AS Mónaco é inegável. Mas, se até à data o nome do clube francês seria (por nós, portistas) principalmente associado à final da Liga dos Campeões de 2003/2004, que terminou com um inesquecível triunfo azul e branco por 3-0, a partir de hoje, vinte e quatro de maio de 2013, a relação entre os dois clubes sobe a um outro patamar.
Tudo porque, de um momento para o outro, um milionário russo investe no clube monegasco, acabado de regressar ao principal escalão do futebol gaulês, e decide vir às compras a Portugal.
E se, no final da época de 2003/2004, foi o Chelsea quem assumiu o papel de principal investidor no Futebol Clube do Porto, desta feita foi o Monaco quem, de uma só vez, colocou 70(!) milhões de euros nos nossos cofres, ao adquirir os passes de James Rodríguez (por 45M) e João Moutinho (25M).
É fácil de concluir o porquê de uma diferença tão grande no valor de venda/compra dos dois jogadores, assim como é obrigatório reconhecer que era uma oferta irrecusável. Enquanto clube português, que atua num campeonato onde o poder económico fica muito aquém do dos países 'concorrentes', é impossível, repito, impossível, recusar-se sequer 40 milhões de euros por um jogador, quanto mais 70 por dois.
A partir daqui, e enquanto adeptos azuis e brancos, teríamos todos os motivos para ficar preocupados, não fosse o historial que nos pode contradizer: ao longo das últimas épocas e sem excepção, acabámos sempre por adquirir jogadores de igual ou maior valor (a nível de jogo e também monetário), pelo que, com o benefício de, ao contrário das vendas de Falcao e Hulk (tratadas nos últimos dias do mercado, já muito perto de setembro), estão reunidos todos os factores para reforçarmos ainda melhor o nosso plantel.
Continua...
Reparei há pouco, depois de uma rápida passagem por todos os textos escritos nas últimas três épocas, que aqueles relativos ao primeiro triunfo (ainda com André Villas Boas) e ao segundo (com Vítor Pereira) nunca se destacaram muito.
Nunca se destacaram muito porque simplesmente não me determinei a escrever sobre eles, dando quase a entender que era 'só' mais um título (e também que, muitas vezes, apenas utilizo este espaço para tecer críticas - o que não é verdade), mas hoje apetece-me carregar em cada uma das muitas teclas deste teclado que à minha frente se encontra e partilhar com todos vós os meus sentimentos, as minhas emoções, as minhas opiniões.
Um, dois três. Três épocas, três campeonatos, três títulos. Campeões, Tricampeões.
Saber a tabuada era obrigatório para todos aqueles que, a três jornadas do fim de mais um campeonato português*, se queriam manter na luta pelo título.
Com quatro(!) pontos a separar as duas equipas que lideravam a tabela, numa altura em que haviam apenas três jogos por disputar, muitos era aqueles que tomavam tudo por garantido, mas muitos eram também aqueles que ainda acreditavam. E se os festejos na Madeira, já perto do fim da prova, se tornaram descabidos, os festejos em Paços de Ferreira, no Marquês de Pombal, na Avenida da República, nos Aliados, no Dragão, no Mundo, os festejos azuis e brancos, assumem o papel de verdadeiros.
Há que reconhecer o elevado nível a que o adversário se apresentou ao longo de toda esta época, em especial se comparado às anteriores, e foi precisamente devido a isto que o título apenas foi decidido no último encontro. Não é comum decidir-se um campeonato à trigésima jornada e talvez por isso se tenha tornado num dos títulos que mais gozo me deu celebrar, tal como quando vencemos em Lisboa, há dois anos.
Posto isto, e feitas as celebrações, é igualmente necessário reconhecer o trabalho realizado por Vítor Pereira, alvo de críticas da minha parte desde o primeiro dia em que me lembro de escrever sobre a época de 2011/2012. Não é, aliás, difícil de rever algumas delas, e não as retiro. Não as retiro porque a minha opinião relativa às suas opções não mudou, assim como não deixo de achar que num jogo do título não se deve deixar em campo um jogador como o Danilo quando já tem um cartão amarelo.
No entanto, e porque quem ganha merece mérito, a verdade é que Vítor Pereira acabou por conseguir entrar para uma curta lista de treinadores que somam dois campeonatos conquistados com o Futebol Clube do Porto e, posto isto, é-me impossível contestar a sua (agora improvável) permanência. A nível interno, e porque em sessenta jogos realizados para o campeonato apenas perdeu um, esteve praticamente intocável, perdendo apenas a oportunidade de vencer uma ou outra taça, pelo que apenas a nível europeu (fase de grupos da Champions em 2011, eliminatória frente ao Málaga em 2013) foi menos forte.
Não peço, portanto, uma mudança de treinador, numa altura em que, como adepto portista, me preparo para entrar na fase chata do ano, mas sim uma boa e inevitável (e já habitual) reestruturação de partes do plantel para a próxima época.
*continuo a insistir em 'campeonato português' porque sou completamente contra o nome oficial, dado que um dos patrocinadores em questão está igualmente afiliado a uma ou mais equipas desta prova.
PS: Terminar este texto com uma crítica não fazia parte dos meus objectivos, mas apenas no final me lembrei das tristes (porque não têm outro nome) palavras proferidas por Lieson após conquistar o seu primeiro título de campeão nacional português(!). Felizmente, e depois de ter apelado a uma maior utilização do brasileiro na fase final da época, está de saída.
Fotografia retirada da página oficial do Futebol Clube do Porto no Facebook (sem quaisquer fins lucrativos).
Um, dois três. Três épocas, três campeonatos, três títulos. Campeões, Tricampeões.
Saber a tabuada era obrigatório para todos aqueles que, a três jornadas do fim de mais um campeonato português, se queriam manter na luta pelo título. Com quatro(!!!) pontos a separar as duas equipas que lideravam a tabela, numa altura em que faltavam apenas três jogos, muitos eram aqueles que tomavam tudo por garantido, mas muitos eram também aqueles que ainda acreditavam.
Golos, muitos golos, muitos saltos, muitos gritos. Foi em clima de festa azul e branca que a noite de dezanove de maio terminou. (Ainda) não foi num domingo de Páscoa, como Pinto da Costa já desejou, mas acabou por se confirmar mais uma vitória do Futebol Clube do Porto no principal escalão do futebol português, depois de mais trinta jogos sem conhecer o sabor da derrota, ao contrário das restantes equipas que na competição participaram.
É hora de encher a Avenida da República, os Aliados, o Dragão, é hora de celebrar mais uma vitória à Porto!
Já Mark Webber desligava os motores no Grande Prémio de Kuala Lumpur, Malásia, quando Sebastien Vettel, contra todas as ordens da equipa, decidiu ultrapassar o colega de equipa para vencer a corrida. (O episódio entre o alemão e o australiano ganhou proporções assombrosas ao segundo Grande Prémio da temporada e promete continuar a dar que falar nos próximos tempos.)
O que pode uma corrida de Fórmula 1 ter a ver com futebol? Nada, muitos dirão, mas se a gestão do carro (e do próprio motor) numa corrida, dadas as circunstâncias, é considerada normal e aconselhável quando possível, num jogo de futebol, numa época de futebol, é por completo desaconselhável e reprovável.
Imagine-se o Futebol Clube do Porto como um carro de Fórmula 1, a lutar pelo primeiro lugar Grande Prémio após Grande Prémio com o objectivo de vencer o campeonato. Agora imagine-se, e com o devido respeito por todos os adversários, o encosto do líder para que os seguintes ganhem posições. Assim se define a época dos comandados de Vítor Pereira, um mau director de equipa que usou e abusou das paragens nas boxes.
Não estou a regressar ao Dragãozinho pela derrota na final da Taça da Liga, nem pela derrota para o Braga no segundo jogo numa semana e relativo à Taça de Portugal, nem pela derrota na Liga dos Campeões ou pelos empates em excesso no campeonato. Nenhum desses resultados seria digno de tanta crítica quanto a que se segue caso surgisse isolado na época. Infelizmente, ao relermos este parágrafo podemos concluir que a época foi feita, na sua grande maioria, de derrotas e empates que nos custaram títulos. Não houve uma única passagem pelo pit lane que pudesse ser acompanhada da palavra sucesso, não houve uma única volta perfeita e todas as peças substituídas foram mal escolhidas.
Com isto regresso a Vítor Pereira. Vítor Pereira, o director de equipa que pouco fez para revalidar os bons (exigidos, não bons) resultados que conseguiu na época passada. Perdida a Liga dos Campeões, perdida a Taça de Portugal e a dias de perdermos, também, o campeonato, exigia-se a conquista do troféu tão indesejado por todos nós, o troféu a que nenhum de nós liga mas que, ao cabo de seis, sete anos, todos gostaríamos de ver o nosso clube vencer pelo menos uma vez. Nada disso aconteceu e apenas pudemos registar mais uma vez a constante atitude apática com que a equipa encara os desafios esta época. Entrou (e saiu) o inexperiente Abdoulaye para o lugar do experiente Otamendi, que por motivos inexplicáveis não começou o jogo, foi Liedson comprado para somar jogos no banco e juntou-se Izmaylov à equipa para jogar menos do que devia e ver outros entrar quando ele, ele devia ser a nossa aposta em tais circunstâncias. Os carros continuam a passar e já não há força para carregar no acelerador e segurar o volante correctamente.
Agora, e dado que o Braga conseguiu vencer finalmente uma competição (à nossa custa, e sem golear apenas porque se deram ao luxo de desperdiçar inúmeros lances de autêntico 'quase golo'), apenas peço uma coisa antes da época acabar: ganhem todos os jogos até ao final da temporada e contem com terceiros para revalidar o título. Se tal não for possível, peço-vos então que percam já o próximo jogo, e o seguinte, de forma a poupar-nos a uma festa indesejada na nossa casa.
Estou farto de criticar quem não merece estar onde está, caro Vítor.